domingo, 13 de dezembro de 2015

Arroz doce ♥


Saudades........ é o que sinto com este doce.
Arroz doce faz-me recordar as avós, nas suas cozinhas, de avental, ao fogão
a mexer o leite com a colher de pau no tacho e o cheiro da canela que se sente, quando entramos.
Ansiosa, fico à espera que ela me chame para provar aquela delícia.
Sopra para a colher de pau e dá-me a provar. Está doce e o arroz está bem cozido.
Está no ponto e antes de ir para a travessa de barro, ainda como um bocado, numa taça,
morno, que é quando eu gosto mais.
Depois de arrefecer vamos decorar com a canela em pó. 
Fazemos corações, riscas, as iniciais do nosso nome ou simplesmente polvilhamos ....


          Um horizonte, — a saudade 
          Do que não há de voltar; 
          Outro horizonte, — a esperança 
          Dos tempos que hão de chegar; 
          No presente, — sempre escuro,— 
          Vive a alma ambiciosa 
          Na ilusão voluptuosa 
          Do passado e do futuro. 

          Os doces brincos da infância 
          Sob as asas maternais, 
          O vôo das andorinhas, 
          A onda viva e os rosais; 
          O gozo do amor, sonhado 
          Num olhar profundo e ardente, 
          Tal é na hora presente 
          O horizonte do passado. 

          Ou ambição de grandeza 
          Que no espírito calou, 
          Desejo de amor sincero 
          Que o coração não gozou; 
          Ou um viver calmo e puro 
          À alma convalescente, 
          Tal é na hora presente 
          O horizonte do futuro. 

          No breve correr dos dias 
          Sob o azul do céu, — tais são 
          Limites no mar da vida: 
          Saudade ou aspiração; 
          Ao nosso espírito ardente, 
          Na avidez do bem sonhado, 
          Nunca o presente é passado, 
          Nunca o futuro é presente. 

          Que cismas, homem? – Perdido 
          No mar das recordações, 
          Escuto um eco sentido 
          Das passadas ilusões. 
          Que buscas, homem? – Procuro, 
          Através da imensidade, 
          Ler a doce realidade 
          Das ilusões do futuro. 
          
          Dois horizontes fecham nossa vida. 

Machado de Assis


Ingredientes

1L leite gordo
140 g arroz carolino
1 casca de limão (só a parte amarela)
1 pau de canela
1 pitada de sal
160 g açúcar
4 gemas de ovo
canela, q.b. 


Confeção

Coloque no copo do robot o leite, o arroz, a casca de limão, o pau de canela e o sal 
programe 50 min/90°C/Vel. inversa/vel Colher de pau
Adicione o açúcar e as gemas previamente desfeitas num pouco de arroz doce, 
envolva com ajuda do salazar
Programe 10 min/90°C/Vel. inversa/vel.2 
Deite numa taça grande ou em taças pequenas. 
Quando estiver frio polvilhe com canela em pó.


Desfrutem desta excelente sobremesa, 
tão portuguesa e tão presente nas nossas mesas. 


Carpe diem!!!
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